Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Servidores Públicos Municipais em João Monlevade Ltda
09/04 - Onde achar juros mais baixos, matéria do Correio Brasiliense

Está claro que 2015 será difícil para quem deseja obter empréstimos e financiamentos. Os bancos comerciais projetam um conservadorismo maior na aprovação do crédito ao longo do ano, consolidando uma nova fase nessa relação com os clientes. Com os juros em ciclo de alta, acabou de vez a fase do dinheiro farto e barato no mercado. É nesse contexto que o sistema de cooperativas se apresenta como alternativa para quem, diante da crise econômica, precisará de uma mãozinha para fechar as contas e concluir compromissos.

O técnico agropecuário José Brandi, 57 anos, associou-se ao Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) em 2000 e, desde então, diz não ter do que se queixar. Quem apresentou a modalidade a ele foi um amigo, que o indicou para se tornar cooperado. Nesses 15 anos, Brandi fez vários empréstimos com taxas de juros consideradas competitivas. Além disso, adquiriu uma casa pelo consórcio de imóveis, contratou plano de previdência privada, investiu em poupança e em título de renda fixa de longo prazo, opção equivalente ao Certificado de Depósito Bancário (CDB).

Até na hora de escolher o convênio médico, José Brandi preferiu o da cooperativa. “Quando infartei, consegui a liberação da operação e do implante do stent sem burocracia alguma. Não tenho dificuldade em ter acesso às informações. Os serviços parecem mais simples do que os oferecidos pelos bancos tradicionais, principalmente em relação a empréstimos e financiamentos”, compara.

Na tentativa de conquistar uma fatia maior do mercado, as cooperativas de crédito se modernizaram nos últimos anos e passaram a ter um leque de produtos muito semelhante ao das instituições financeiras tradicionais. E qualquer pessoa pode participar delas. Não é preciso, obrigatoriamente, pertencer a um grupo específico de profissionais ou manter uma atividade agropecuária, por exemplo. Muitas empresas não fazem mais restrição ao perfil do cooperado.

LUCRO OU SOBRAS ?

O primeiro passo para se associar a uma cooperativa é encontrar o ponto de atendimento mais próximo. Os principais sistemas de crédito possuem sites bastante informativos que podem ajudar nesse sentido. Ao contrário dos bancos comerciais, as instituições dessa modalidade não visam o lucro, o que explica, em grande parte, a diferença que mais interessa aos cooperados: as taxas de juros cobradas pelas cooperativas costumam ser bem menores.

Como o objetivo da instituição não é obter lucro, todo esforço é feito para que as taxas oferecidas nos empréstimos cubram apenas os custos e, assim, sejam mais baixas. Se ao final do exercício houver lucro ou algum tipo de sobra, como chamamos, o montante é redistribuído entre os associados”, explica Henrique Castilhano Vilares, presidente Sicoob, entidade que reúne 502 cooperativas e mais de 3 milhões de cooperados.

O professor de finanças da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGV-SP) Fabio Gallo reforça que mesmo com taxas de crédito mais baixas que a média do mercado, as cooperativas conseguem distribuir lucro para os associados no fim do ano. A transparência, emenda ele, é uma característica do sistema, que tende a contar com uma boa administração, “porque é de todo mundo”.

Somente em 2013, o Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), por exemplo, registrou lucro de R$ 1,1 bilhão, segundo o presidente da Sicredi Pioneira RS, Marcio Port. O relacionamento com o cliente é um dos valores mais levados a sério no cooperativismo, sublinha ele. “O esforço é para que o tratamento seja o mais personalizado possível. Conhecemos os cooperados e vice-versa: isso reduz riscos”, diz. Como o cooperado também é considerado dono do negócio, pontua o presidente da Unicred, Leo Trombka, “o calote é muito mais difícil”. “Nossa taxa de inadimplência é menor que 1% no Rio Grande do Sul. No país, não chega a 2%”, exemplifica.

FIDELIZAÇÃO

Ao se associar a uma cooperativa, a pessoa se torna dona de uma parte dela, adquirindo uma cota cujo valor inicial é de R$ 50 para pessoas físicas e R$ 100 para pessoas jurídicas. A partir desse momento, já se tem acesso a produtos, serviços e operações. Atualmente, 42% dos mais de 7 milhões dos cooperados em todo o país são fidelizados, ou seja, fazem todas as transações financeiras somente naquela instituição. Além de cartões de débito e convênios com caixas eletrônicos, a maioria das cooperativas permite a movimentação por smartphones e tablets. Grande parte dos associados são de municípios com menos de 50 mil habitantes.

As cooperativas contam com a cobertura do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), que funciona nos mesmos moldes do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para os bancos. Cobre até R$ 250 mil de depósitos que o cliente tem com a instituição. “O sistema é extremamente seguro, com controle muito grande”, assegura Trombka.

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BACEN MONITORA O SISTEMA

O avanço do cooperativismo nos últimos anos permitiu melhorias significativas na governança e na transparência desse sistema. O trabalho das instituições de crédito é, hoje, muito bem avaliado pelo Banco Central, que acompanha de perto a evolução das entidades. A fiscalização da autoridade monetária soma-se àquela feita pelo próprio grupo de associados. “Não somos concorrentes dos bancos tradicionais. Ofereceremos uma série de vantagens e colaboramos com o amadurecimento do sistema financeiro”, comenta o presidente da Sicredi Pioneira RS, Marcio Port.

Entre fevereiro e abril de cada ano, as cooperativas prestam contas aos associados. Somente a Sicredi Pioneira RS (uma das 98 cooperativas do Sistema Sicredi) deve organizar 35 reuniões até o fim do mês que vem nos 21 municípios de sua área de ação. Nesses encontros, serão eleitos os integrantes do conselho de administração e ficará definida a distribuição das sobras.

As cooperativas têm a segunda maior rede de atendimento do país, com 5 mil pontos espalhados pelas cinco regiões, ficando atrás apenas para o Banco do Brasil, que conta com 5,3 mil pontos de atendimento. Desde 2008, os sistemas de crédito crescem a uma taxa média de 20% ao ano. Ocupam o sexto lugar no ranking financeiro nacional, respondendo por 5% do volume total de depósitos, à frente de instituições financeiras internacionais tradicionais, como HSBC e Citibank. Só não têm fôlego para concorrer com Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.

LIQUIDEZ

O montante das operações de crédito movimentado pelas cooperativas cresceu 12,9% no ano passado, enquanto nos bancos privados o salto foi de 7,9%. A única instituição financeira que superou a média das cooperativas foi a Caixa, com acréscimo de 17,1%. “O sistema de cooperativas no Brasil só conseguiu mostrar o seu valor após o baque da crise financeira mundial de 2008. Naquela ocasião, o crédito ficou congelado e as cooperativas mantiveram a liquidez. Foi aí que quem queria investir começou a nos procurar, em busca de juros bem menores”, defende o presidente da Unicred, Leo Trombka. “Viramos uma grande solução para o país.”

Com a atual crise econômica — caracterizada por inflação e juros altos, recessão e desemprego —, as cooperativas acreditam que, mais uma vez, serão uma alternativa vantajosa. O presidente da Sicredi Pioneira RS, Marcio Port, acrescenta que “os bancos sofrem pressão dos acionistas, que querem lucros cada vez maiores, enquanto as cooperativas não passam por isso, não têm caráter especulativo, justamente porque o objetivo não é maximizar os lucros”.

No ranking mundial de cooperativas, o Brasil ocupa a 16ª posição. A França é o país onde esse agente de crédito tem maior expressão: por lá, mais de 60% dos recursos financeiros são movimentados pelo sistema que foge ao tradicional. O Credit Agricole, maior banco cooperativo do mundo, figura como quinto colocado na lista das 50 maiores instituições financeiras do mundo, quando levado em conta o volume de ativos administrados.

A origem do cooperativismo no Brasil, assim como na França, se deu no ambiente rural. Nos últimos 15 anos, o sistema conquistou espaço nas grandes cidades. O professor da FGV Fabio Gallo acredita que “as cooperativas ainda têm um campo enorme para se desenvolver”.

Fonte: Portal do Cooperativismo / Correio Brasiliense (obs.: O Portal do Cooperativismo Financeiro promoveu adequações no conteúdo acima com o objetivo de corrigir algumas informações)

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